19.3.07
Olá, moçada! Desculpe a ausência de posts nestes dois últimos dias. Passei o domingo e a segunda-feira em Itapipoca, trabalhando na edição de uma revista comemorativa dos 37 anos de fundação do Conjunto José Walter.
Aproveitei o embalo e fui ao estádio de lá, assistir ao jogo em que o Fortaleza venceu o Itapipoca pelo placar de 1×0, garantindo, assim, sua presença nas semi-finais do campeonato cearense deste ano.
Tô de volta!!!
16.3.07
Comecei a ter contato com a música do Fagner por volta de 1973, quando ele lançou o LP "Manera Frufru Manera". Ouvi "Mucuripe" também nas vozes de Elis Regina e Roberto Carlos e por volta de 1977 assisti a um show dele no Ginásio Paulo Sarasate, com Belchior e duas cantoras cearenses que faziam sucesso na época: Miss Lene e Maria Zenaide.
Porém, meu primeiro show inesquecível aconteceu em 1981, no Estádio Presidente Vargas, quando, curiosamente, o Fagner estava nas paradas de sucesso com quatro músicas, a saber: "Canteiros", "Eternas Ondas", "Ressurreição", em dueto com Agnaldo Temóteo; e "No Tempo dos Quintais", em dueto com o saudoso Sivuca.
O momento mais marcante pra mim foi quando, na música "Ave Coração", ele usou toda a sua força interpretativa e substituiu a frase "Não quero ser herói de nada" por "Não quero ser herói de porra nenhuma". A galera foi à loucura! Quem teve o prazer de estar no PV nesse dia, não me deixa mentir…
- Tenho uma coisa para te dizer – falou a babá.
Ele mastigava pipocas, envolvido num suspensório muito usado na época, e não mostrou interesse pela conversa. Contava, então, com 8 anos de idade, e divisava em Elisa a única criatura disposta a narrar estórias infantis e levar-lhe a passeios nas tardes dominicais.
A moça iniciou um rodeio para não machucá-lo:
- Estou morrendo de pena, mas vou embora.
- Tá certo, eu também vou. O filme já terminou, não é? Mas eu achei-o chato… – respondeu Lulu, sem imaginar o verdadeiro sentido da prosa.
Elisa foi mais incisiva:
- Você vai sentir muito a minha falta e eu vou ficar com muita saudade de você. Mas, infelizmente, vamos nos separar, pois vou me casar com o Otávio.
Ele começou a compreender, mas não queria acreditar. Neste momento, cruzavam a Praça do Ferreira, onde Lulu ficou contemplando o Edifício Sul América, o Cine São Luiz, a Coluna da Hora e a arborização aconchegante. De repente, olhou para Elisa e advertiu:
- Não gosto deste tipo de brincadeira.
- Mas eu não estou brincando. Estou grávida e seu tio me pediu em casamento.
Com ar choroso, ele perguntou:
- Se isso for verdade, quem vai cuidar de mim? Quem vai passear comigo?
- Sua mãe, seu pai…
- Meu pai lá é gente. Eu vou morar com vocês!
- Se a dona Judite deixasse, eu levava mesmo. Mas vamos conversar sobre isso depois. Ainda falta mais de um mês para o meu casamento.
Elisa tentava amenizar o sofrimento ao sentir aproximar-se o instante da dolorosa separação. Com efeito, dias depois, após diversas despedidas comoventes, ela casou com Otávio e foi morar em Teresina, a bela capital do Piauí.
PRÓXIMO CAPÍTULO: REMORSO DE MÃE
15.3.07
Fortaleza tem experimentado nos últimos tempos uma séria crise de identidade cultural que está atingindo em cheio principalmente a área musical. Depois dos emblemáticos anos 70, quando a trinca Fagner/Belchior/Ednardo alcançou o estrelato nacional, servindo de vanguarda para um movimento que impulsionou carreiras de várias estrelas nordestinas, vimos amargando uma lamentável ausência de novos valores nas chamadas “paradas de sucesso” do país como um todo. Temos aparecido apenas, de vez em quando, com algumas bandas do atual forró eletrônico, com suas letras e melodias simplórias, que logo são descartadas.
Uma prova concreta dessa afirmação reside na escolha dos artistas para abrilhantar datas festivas de órgãos e empresas públicas e/ou particulares. As atrações, quase sempre, nada têm a ver com as nossas raízes culturais, ao contrário do que ocorre em outras cidades como Recife e Salvador. Vejamos alguns exemplos: a) A festa de aniversário da capital cearense, no ano passado, foi animada pela cantora paulista Rita Lee; b) O reveillon na Praia de Iracema teve como principal atração a paraibana Elba Ramalho; c) No Carnaval de rua da avenida Domingos Olímpio a mídia foi concentrada num show do sambista carioca Neguinho da Beija-Flor; d) No Dia Internacional da Mulher, na Praça do Ferreira, quem deu as caras como chamariz de público também é carioca, no caso a cantora Leci Brandão; e) O aniversário de 25 anos do maior shopping da cidade, no final deste mês, vai ser animado pelo baiano Caetano Veloso, que, por sinal, havia jurado em entrevista nunca mais pôs os pés aqui, por conta de uma vaia histórica que levou no Ginásio Paulo Sarasate. Para completar, há mais de 10 anos, nas férias de meio de ano, nossos turistas são recepcionados com um evento chamado “Fortal”, onde predominam representantes de um ritmo musical da Bahia.
Tal fenômeno está a merecer um debate aprofundado entre a classe artística e autoridades ligadas ao assunto. Será que estamos fadados a ficar apenas rememorando antigos sucessos de Belchior e Ednardo, que, decididamente, resolveram viver do passado; e dependendo das inúmeras tentativas do Fagner de criar novidades para se manter na mídia, enquanto as gerações emergentes se perdem na criação de produtos que estão longe de chamar a atenção do grande público? Quem é o maior responsável por esse marasmo? A estagnação dos artistas da terra ou a insensibilidade cultural dos produtores de tais eventos?
(Artigo de minha autoria publicado na edição desta semana do jornal Folha do Ceará)
13.3.07
Em janeiro deste ano, quando adentrei no Estúdio Ararena, em Fortaleza, para entrevistar o Fagner (a entrevista saiu no jornal Folha do Ceará e está publicada também no site www.fagner.com.br), ele estava dando os últimos retoques na música “Difícil Acreditar” (Fagner/Fausto Nilo), que vai ser um dos “carros-chefe” do CD a ser lançado em abril. Infelizmente, quando tive a idéia de ligar o gravador, a música já estava pela metade. Só deu pra pegar o refrão, que repasso agora pra vocês, em primeira mão.
Qualquer um é um rei
Se a paixão é bonita
Entregue à própria lei
Mas ninguém acredita
Haja paz no sertão
Haja luz na favela
Pra escutar minha voz
Procurando por ela
Em cada pôr-do-sol há solidão
Apagando o infinito da cidade
E em meu coração
Onde andará você?
Onde andará você?
Geralmente, a chegada de uma criança altera os hábitos de uma convivência matrimonial. Mas, com esse casal, a mudança não ocorreu. Bastou findar o resguardo, Judite foi obrigada a retornar à vida levada antes: presença assídua em solenidades de posses de autoridades, festas, chás e outros eventos onde ela e o marido pudessem aparecer nas colunas sociais.
Luís Carlos viveu uma infância traumatizante. Na sua visão infantil, não compreendia o motivo de ver os pais tão raramente, apesar de residirem no mesmo lar. Dificilmente Luís e Judite faziam refeições com o filho, porque eram muito solicitados para almoços e jantares externos ou, quando ceavam em casa era após os compromissos sociais e ele, cansado de esperá-los, já estava dormindo.
Apesar da distância, o menino nutria uma admiração especial pela mãe. Às vezes, lastimava o fato de não ter nascido mulher, para ficar semelhante a ela. Ao mesmo tempo, revelava enorme apatia pelo pai, devido ao desprezo experimentado desde a mais tenra idade, vindo da parte paterna. Com o passar dos anos, foi agasalhando rancores e tornava-me cada vez mais revoltado, principalmente quando atentou ser ele o responsável direto por sua carência de cuidados maternos.
Quem marcou profundamente esse período foi Elisa, uma morena clara, baixinha, corpo meio recheado, cabelos e olhos escuros, oriunda de lavradores mal condicionados financeiramente e residentes em Baturité. Judite ainda estava grávida quando a menina, então com 16 anos, veio para Fortaleza com a missão de cuidar da infância de Luís Carlos, ensinando-lhe os primeiros passos.
Elisa exerceu a função com enorme desvelo, pois gostava muito de crianças. Dedicou-se integralmente a sua tarefa e ainda deixou no garoto uma marca indelével: com preguiça de lhe chamar de Luís Carlos, tratava-o carinhosamente por Lulu. Ele mesmo acolheu o apelido com simpatia. Quando as pessoas perguntavam como era seu nome, respondia prontamente: Lulu.
Além de apegar-se ao menino de modo maternal, a moça começou a entabular um namoro às escondidas com Otávio, irmão mais moço de Luís. Pouco a pouco o romance foi esquentando e a prática de sexo passou a fazer parte dos encontros. Um dia, preocupada com a demora da menstruação, Elisa dirigiu-se a um posto de saúde e descobriu: estava prenha.
Quando soube da novidade, Otávio não se fez de rogado: avisou a toda a família sua disposição de constituir um novo lar com a babá. Elisa sentiu-se radiante de alegria porque iria contrair núpcias, porém não continha as lágrimas por ser forçada a se separar de Lulu. Ela comunicou a resolução quando foram ver um filme de bang-bang no Cine Diogo.
PRÓXIMO CAPÍTULO: A BABÁ VAI EMBORA
12.3.07
Recebi um e-mail super interessante da espevitada Joanice Sampaio, minha colega de faculdade. Ela me deu uma definição fantástica sobre globalização e agora repasso pra vocês:
"A definição mais correta sobre o que é globalização está na morte da princesa Diana. Ela era inglesa, estava com um namorado egípcio quando sofreu um acidente dentro de um túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês e que era seguido por paparazzis italianos, em motos japonesas. A princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros.
Esse texto está sendo enviado a você por um brasileiro, usando tecnologia americana e, provavelmente, você está lendo isso em um computador
genérico que usa chips feitos em Taiwan, e um monitor coreano montado
por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em caminhões conduzidos por indianos, roubados por indonésios,
descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a você por judeus, através de uma conexão paraguaia."
Genial!!!
11.3.07
Olá, moçada!
Tô só dando um toque e aproveito para agradecer as palavras carinhosas que tenho recebido de vários(as) amigo(as) através deste blog, do e-mail e do MSN, principalmente com relação aos posts sobre o Fagner e à história do Lulu. Tô saindo pro PV, doido pra ver uma vitória expressiva do Leão sobre o Itapajé. Depois, se não tiver caindo chuva, vou tomar umas duas "louras" na pracinha da Jovita, onde meu dileto amigo Conrado Dieb vai estar cantando clássicos da MPB. Talvez eu até dê uma canja. Quem sabe?
Inté!!!
10.3.07
Taí a letra da música "Semente", de autoria do poeta Mário de Andrade, um das mais bonitas do repertório do Fagner, gravada no LP de 1985.
Os teus olhos distribuem, o que não existe nos meus; as luzes que os meus possuem, são as migalhas dos teus.
Quem gasta no amor 20 anos, menos amor na alegria; de quem só ama um só dia, e vive de desenganos.
Teu sorriso é um jardineiro, meu coração é um jardim; saudade, imenso canteiro, que eu trago dentro de mim.
A semente dos teus olhos, caiu no meu coração; deu uma árvore de abrolhos, deu uma fruta: a paixão.
Lirismo puro!!!
9.3.07
De fato, quando regressaram para Fortaleza, ele passou a irritar a esposa com gestos mesquinhos, alguns só percebidos no recesso familiar. Se nas aparições públicas o homem era um “doce de pessoa”, afável com todo mundo; em casa vivia sempre de cara amarrada, implicando com qualquer besteirinha de nada.
Judite sofria intimamente com tanta disfarçatez e até procurou comentar o assunto com algumas amigas, não encontrando solução para amenizar a melancolia ocasionada pelo desprezo do marido. De repente, veio-lhe a idéia de ter um filho, mesmo contra a vontade dele.
“Sim, uma criança resolveria tudo, porque eu ganharia uma companhia e não me sentiria tão só”, pensava ela, maquinando um meio de engravidar nos raros momentos de camaradagem no leito conjugal. Foi à luta e obteve êxito. Um belo dia, após o almoço na residência de um militar recentemente chegado à cidade, viu o marido de bom humor e cochichou ao seu ouvido:
- Prepare-se para ser papai, pois estou esperando nenê!
Ele manifestou limpidamente sua posição adversa:
- Um filho agora, Judite? E as nossas reuniões sociais, como ficam?
Ligeiramente colérica, a mulher rebateu:
- Pelo amor de Deus, Luís. Agora chega. Eu quero ter um filho e a hora é essa. Podemos pagar uma pessoa para cuidar dele e vamos continuar freqüentando essas reuniões chatas e sem fim.
Entediado, ele perguntou:
- Nós vamos levar essa criança aos saraus?
- Sei lá. Minha preocupação agora é se vai ser menino ou menina. Por acaso, tens alguma preferência?
A refutação do marido, como sempre, foi em tom ríspido:
- Pra mim, tanto faz. De qualquer jeito, vem só para atrapalhar nossas vidas.
Ela adotara o costume de silenciar quando suas prosas atingiam um certo grau de animosidade. Decidiu cuidar da gestação sem interferência do esposo.
Numa noite fria de janeiro de 1955, após muito sofrimento durante o trabalho de parto, chegava ao mundo, muito forte e corado, o primeiro e único filho do casal, a quem puseram o nome de Luís Carlos, rendendo homenagens ao pai, Luís, e ao avô materno, Carlos.
PRÓXIMO CAPÍTULO: INFÂNCIA TRAUMATIZANTE