10.4.07
Cobertura esportiva discriminatória
“Eu, eu, eu, a Verdinha se fudeu.” Esse é o grito de guerra que se escuta no Castelão todas as vezes em que o Fortaleza marca um gol no Ceará. Para quem não sabe, isso significa uma forma de protesto da torcida tricolor em direção à equipe esportiva da Rádio Verdes Mares AM, que ao longo dos últimos anos tem assumido uma postura nitidamente favorável às cores alvinegras.
Domingo passado (8/4), ainda no primeiro tempo, quando saiu o gol do Fortaleza, ouvi o tal grito de guerra e, movido pela curiosidade, resolvi sintonizar o rádio na Verdinha e constatei que, realmente, o imparcialismo do narrador (Gomes Farias), do comentarista (Sérgio Pinheiro) e outros integrantes da equipe esportiva chega às raias do absurdo. Até parece que o Ceará estava jogando contra um clube de outro estado, tamanha era a tendência dos comentários a seu favor. Tudo indica que eles não fazem a menor questão de serem ouvidos por torcedores do Fortaleza.
Diante do exposto, fiquei imaginando como se sentiria o saudoso Edson Queiroz, fundador do Sistema Verdes Mares, ao ver um dos seus maiores orgulhos, no caso a Rádio Verdes Mares AM, sendo constantemente enxovalhado nos estádios por uma verdadeira multidão, gritando, em alto e bom som: “Eu, eu, eu, a Verdinha se fudeu.” Empreendedor e visionário como era, dificilmente Edson Queiroz compactuaria com essa cobertura esportiva discriminatória em busca de audiência…


criado por juracy.mendonca
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