21.6.07
Editorial
A educação, como se sabe, tem sido, ao longo dos últimos anos, uma das maiores bandeiras dos candidatos a cargos eletivos. Não somente em Fortaleza, mas também, e principalmente, no interior do estado, muitos deles recebem votações consagradoras com a promessa de trabalhar para melhorar os indicativos educacionais do povo. Porém, a realidade mostra que tudo isso não passa de mero discurso, pois o analfabetismo ainda campeia solto em todos os municípios cearenses. E, o que é pior, vem aumentando gradativamente, como atestou recentemente a PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio.
Segundo os dados apresentados, em todo o Ceará o número de analfabetos, que em 2004 chegava a 1.682.437, em 2005 pulou para 1.767.470. Somente na capital existem 431.169 pessoas, com idade entre 8 e 29 anos, na triste situação de não saber ler nem escrever e muito menos fazer as quatro operações básicas da matemática (somar, subtrair, multiplicar e dividir). Isso é, realmente, uma vergonha, notadamente para representantes da classe política que se orgulham de ocupar cargos públicos há várias décadas.
Eles deveriam era buscar a adoção de medidas concretas para conter essa nódoa que atinge sobretudo as classes menos favorecidas. Não há como negar, por exemplo, que o crescimento do analfabetismo passa pela diminuição da autoridade a que o professor foi relegado em sala de aula, o que o obriga a aprovar alunos, mesmo sabendo que eles não reúnem condições para cursar séries mais avançadas. A valorização do magistério poderia ser a primeira decisão a ser tomada para pôr fim a esse espetáculo deprimente, humilhante…


criado por juracy.mendonca
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