29.8.07
Normalidade de volta
A situação nos principais aeroportos brasileiros, ao que tudo indica, está voltando ao normal. Depois de meses seguidos de uma crise que parecia não ter fim, e que tinha como carro-chefe as cenas degradantes registradas pelas câmaras de televisão nas filas de embarque, bem como a incerteza dos passageiros em relação à chegada a seus respectivos destinos, temos agora uma espécie de calmaria, o que nos leva a reconhecer que boa parte disso é resultado de uma série de ações implentadas pelo novo ministro da Defesa, Nelson Jobim
Como se sabe, o caos na nossa aviação comercial teve início praticamente em outubro do ano passado, tendo como símbolo o choque entre duas aeronaves (um Boeing e um Legacy) em Mato Grosso, e prosseguiu nos meses seguintes, ocasionando superlotações nos terminais de todo o país e culminando com aquela tragédia do dia 16 de julho, quando quase 200 pessoas foram atingidas fatalmente em consequência do deslizamento de um Airbus em Congonhas (São Paulo). Em meio ao doloroso processo, tivemos que assistir a um verdadeiro bombardeio de críticas e opiniões de representantes de todos os segmentos da sociedade, notadamente de pessoas que jamais entraram num avião mas que, de uma hora para outra, viraram “experts” no assunto.
Porém, graças a Deus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu rápido e, pelo menos por enquanto, está conseguindo evitar o alastramento dos transtornos para os milhares de brasileiros e turistas que cruzam os nossos céus. Nelson Jobim, após ser nomeado ministro, com carta branca para agir, arregaçou as mangas, deu a cara para bater, enfrentou a ira coletiva e determinou várias medidas em caráter de urgência, das quais podemos destacar as mudanças a serem implementadas na malha aeroviária, desconcentrando rotas como Congonhas e Brasília e aumentando as atividades operacionais nos aeroportos Tom Jobim (Rio de Janeiro) e Confins (Belo Horizonte); inspeção nos registros de manutenção de todas as aeronaves do mercado de transporte comercial, bem como na jornada de trabalho de seus operadores; adoção da segurança como prioridade absoluta, modificando, de forma radical, a conduta até então existente, dentre outras.
Claro que os dirigentes das empresas aéreas não gostaram muito das novidades, e até reagiram de forma radical e nada patriótica, ameaçando aumentar os preços das passagens. Mas a grande verdade é que, independente de interesses político-partidários e/ou econômicos, a atitude do Governo Federal deve ser louvada por todos nós. A segurança, aliada à pontualidade, qualidade e eficiência, tem que ser mesmo a principal característica para um serviço tão essencial a um país de dimensões continentais como o Brasil. E às operadoras não resta outra alternativa que não seja colaborar com as linhas traçadas pela equipe comandada por Jobim, sob pena de desgastarem ainda mais a imagem arranhada pela crise que, há muito custo, está sendo debelada.
(Editorial de minha autoria publicado na edição desta semana do jornal Folha do Ceará)


criado por juracy.mendonca
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