Blog do Juracy Mendonça

Juracy Mendonça, cantor, compositor, escritor e jornalista. É editor do Jornal do Parque Araxá e Jornal O Centro, em Fortaleza. Contatos: (85) 3243-4779 / 9954-1017. E-mail: juracymendonca@gmail.com / juramendonca@hotmail.com

29.9.07

O velho Floriano na pêia

     Dona Madalena, minha mãe, criou os cinco filhos na base do diálogo, mas gostava de apelar para o castigo físico em quem fizesse "danações". Para isso, conservava, pendurada na parede da cozinha, uma correia de couro, de meio metro de cumprimento e uns 5 centímetros de largura. Eu mesmo, apesar de ser um menino "calmo", experimentei o peso da sola até os 12 anos de idade.

     Um dia, quando o meu pai ainda era vivo, a Fátima, minha irmã mais velha, fez uma das suas inúmeras presepadas. Assim que soube do fato, Madá pegou a correia e já ia começar a dar lapadas nas nádegas da filha, quando apareceu meu pai, sorrindo, colocando a mão no meio para evitar. A correia, ao invés de chocar-se contra as carnes da Fátima, explodiu com força foi na mão dele.

     O velho Floriano, sempre sorrindo, reclamou:

     - Peraí, Madalena, tá batendo é na minha mão!

     E minha mãe, na maior tranquilidade, respondeu:

     - Pois, se não quiser continuar apanhando, tire a mão do meio. 

criado por juracy.mendonca    19:17 — Arquivado em: Comentários

28.9.07

Chantagem emocional

     Já faz algum tempo que o humorista cearense Renato Aragão, utilizando o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef no Brasil, envia correspondências para milhares de residências do país inteiro, pedindo doações mensais para ajudar na educação e alimentação de crianças assistidas pelo programa “Criança Esperança”, realizado pela Rede Globo de Televisão. E, neste ano de 2007, o renomado “Didi” resolveu apelar para a chantagem emocional em relação às pessoas que não participam da referida campanha, responsabilizando-as por vários problemas que comprometem o presente e o futuro dos “baixinhos” que atualmente vivem em situação precária nos principais centros urbanos. Num dos trechos, ele escreveu: “Você sabia que, enquanto está lendo esta carta, muitas crianças estão perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação?”.

     Não há como deixar de louvar a atitude de Renato Aragão em trabalhar em prol das crianças carentes. Porém, esse altruísmo ganharia mais aplausos se o humorista direcionasse os pedidos para quem tem nas mãos o poder de resolver o assunto de forma rápida e eficiente, no caso os governantes e parlamentares espalhados nas esferas federal, estadual e municipal. Ele, como ser humano dotado de inteligência que é, deveria utilizar os espaços que tem na mídia nacional para cobrar soluções por parte das autoridades que administram toda essa dinheirama que entra nos cofres públicos mensalmente em forma de impostos, e que, infelizmente, não prioriza projetos nas áreas de educação e saúde, de uma feita que uma fatia considerável é destinada para garantir os altos salários e mordomias do presidente da República, de ministros, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores e a enxurrada de assessores a que cada um deles tem direito.

     É profundamente lamentável que o nosso ilustre conterrâneo empreste seu nome para um papel que, às vezes, beira o ridículo, pois só um idiota não percebe que muitos artistas participam apenas com objetivo de passar para o público a imagem de “politicamente corretos”, enquanto os resultados práticos continuam sendo questionados, pois estão longe, mas muito longe mesmo, de atingir as expectativas anunciadas em clima de oba-ôba nos “plimpins” globais. Alguns defensores do “Criança Esperança” afirmam que pior é ficar de braços cruzados, que cada um deve fazer sua parte, dentre outros argumentos até válidos. No entanto, bem melhor do que isso seria denunciar aos quatro ventos que a grana resultante da maior carga tributária do mundo está saindo pelo ralo, sendo aplicado de maneira equivocada, e, o que é pior, deliberadamente.

     Vamos lá, “Didi”. Ainda está em tempo! Como Embaixador Especial do Unicef no Brasil, você pode fazer muito pelas nossas crianças e adolescentes. Basta ter coragem para deixar de lado a chantagem emocional que vem sendo feita em cima de cidadãos comuns (que já são obrigados a pagar imposto até pelo ar que respiram), mudando o foco da cobrança para quem realmente tem obrigação de colocar um fim nesse quadro dantesco.

(Editorial de minha autoria, publicado na edição desta semana no jornal Folha do Ceará) 

criado por juracy.mendonca    21:55 — Arquivado em: Sem categoria

27.9.07

Meu vício é você

   Sapateiro é bicho moleque!
   Lembrei-me disso hoje, quando vinha trafegando pela avenida 13 de Maio no meu fusca, o famoso Pelo Menos (pelo menos não preciso andar de ônibus), com o rádio sintonizado no programa do veterano radialista José Lisboa, e começou a tocar a música “Meu Vício é Você”, na voz inconfundível de Nelson Gonçalves.
   Voltei no tempo e fui parar no início da década de 70, quando era ajudante de sapateiro numa das dezenas de oficinas então existentes no Pirambu. Tinha uns quinze marmanjos trabalhando quando, de repente, apareceu na porta um cego, sendo guiado por um rapazote e carregando um violão. O homem parou, aprumou o instrumento e, de maneira magistral, fez a introdução de “Meu Vício é Você”. Em seguida, começou a cantar: “Boneca de trapo, pedaço da vida…”
   Sua intenção era executar um pedaço da música e depois pedir uma esmola. Porém, mal terminou de cantar a primeira frase, o sapateiro Chico Cotoco, que era um dos mais gaiatos da oficina, colocou uma mão na boca e fez um som idêntico ao de uma flatulência (o velho peido!).
   Ouvindo o impropério, o cantador/mendigo dirigiu-se bruscamente para o guia, dizendo:
   - Vumbora, menino, que aqui nessa porra só tem moleque!!!

criado por juracy.mendonca    20:52 — Arquivado em: Comentários

25.9.07

Sem calcinha

     Ontem, durante uma aula na FAC, a louca da professora Valéria perguntou se, por acaso, alguém sabia o que é sarau. Por incrível que pareça, quase ninguém respondeu corretamente. Então, aproveitei a ocasião para contar uma historiazinha meio cínica, envolvendo a palavra sarau. Meus colegas de classe gostaram. Espero que vocês gostem também:

     Passeando pela praça de alimentação de um shopping de Fortaleza, uma moça, altamente intelectual, disse à amiga:
     - Mulher, tu não acredita: um cara me chamou para ir com ele amanhã a um sarau!
     A amiga, também do mesmo nível cultural, perguntou:
     - E o que diabo é sarau?
     E a outra respondeu:
     - Sei lá. Só sei que já vou chegar lá sem calcinha…

    

criado por juracy.mendonca    15:56 — Arquivado em: Eu na FAC

21.9.07

Só os peitos

     Acho que minha mãe é, acima de tudo, uma pessoa espirituosa, que tem respostas prontas e imediatas para qualquer ocasião. Vejam, por exemplo, essa “pérola” que ela soltou diante de uma situação inusitada:
     No início da década de 70 chegou em nossa rua um casal meio estranho. A mulher só vivia no salto alto, saias curtas e blusas decotadas. Os fofoqueiros davam conta de que ela colocava chifres no marido. Diziam que a viram várias vezes na Praça José de Alencar, trocando amabilidades com um motorista da Autoviária São Vicente de Paula; outros a tinham visto aos beijos e abraços com um taxista que morava próximo ao campo do “Zé Bacurim” (é o novo); dentre outras narrativas indecorosas.
     O marido, coitado, era manso que só um cordeiro. Nem ligava, ou fazia de conta que não sabia dos comentários do povo sobre sua esposa.
     Um belo dia, a mulher ia passando na rua e, ao ver várias pessoas conversando nas portas das residências, falou em alto e bom som:
     - Estão dizendo por aí que boto chifres no meu marido. Só queria saber quem anda espalhando essas mentiras. Eu guardo o maior respeito ao meu marido!
     Mais tarde, nossa vizinha Mundinha estava dialogando com minha mãe e, em dado momento, afirmou:
     - Hein, Madalena, a mulher disse hoje, pra todo mundo ouvir, que guarda o maior respeito ao marido.
     E minha mãe, fazendo um brilhante trocadilho de palavras, respondeu:
     - Ela pode guardar é só os peitos para o marido!!!

criado por juracy.mendonca    9:13 — Arquivado em: Comentários

18.9.07

Feio e esquelético

     No mês passado, Zé da Diva esperava um ônibus na avenida Carapinima, em frente ao Shopping Benfica, quando uma moça muito bonita, loira, de cabelos longos e olhos esverdeados, começou a olhar para ele.
     Zé ficou meio encabulado, achando que estava sendo confundido com outra pessoa, mas ficou na dele. A moça aproximou-se e perguntou:
     - E aí, vamos dar uma subidinha no meu apartamento?
     Nosso amigo ficou nas nuvens! “Se eu contar lá no Parque Araxá que transei com esse avião, ninguém vai acreditar”, pensou ele. E não contou pipocas: dirigiu-se com a mulher para um edifício que fica nas proximidades, cheio de amor pra dar…
     Chegando no apartamento, ela pediu para que Zé da Diva sentasse numa poltrona, acrescentando:
     - Pode ficar a vontade que eu volto já!
     Zé, então, imaginou que a moça fosse retornar só de camisola, toda sensual. Por isso, para acelerar o serviço, resolveu tirar logo a roupa; ficou apenas com a cueca.
     Daí a instantes ela adentrou na sala puxando pelo braço um menino de sete anos de idade, e advertindo:
     - Tá vendo, meu filho? Se você não comer vai ficar assim como esse homem: feio e esquelético!!!

criado por juracy.mendonca    15:01 — Arquivado em: Zé da Diva

15.9.07

Do tempo do Cu de Pinto

   Na década de 70, lá no Pirambu, existia um amigo da gente que era conhecido por ser metido a malandro, maluco, engraçado e, curiosamente, bastante prestativo. Seu apelido: Cu de Pinto.

   Por essa época, o Governo Federal promoveu uma campanha de vacinação contra a poliomielite, aquela que deixava uma "etiqueta" nos braços de crianças, jovens e adultos. Respeite o rebuliço no Pirambu no dia marcado para a vacinação. Todo mundo correndo para os locais indicados, com medo de contrair a doença.

   Por volta das 10 horas, minha mãe começou a se preocupar, pois já havia ido ao Colégio Cristo Redentor duas vezes mas a fila estava imensa. Nossa vizinha, de nome Mundinha, chegou perto dela e perguntou:

   - Madalena, tu já se vacinou?

   Resposta da minha mãe:

   - Ainda não. Já fui no Cristo Redentor duas vezes mas a fila tá muito grande.

   - Mundinha, então, falou:

   - Mulher, vai lá no Colégio Flávio Marcílio que a fila tá pequena, não tem quase ninguém.

   Madá já estava pensando em ir para o local indicado, quando Mundinha acrescentou:

   - Quem tá vacinando lá é o Cu de Pinto!

   Minha mãe olhou ironicamente para ela e rebateu:

   - Mas manca, tá vendo que eu não vou dar o meu braço pro Cu de Pinto furar…    

criado por juracy.mendonca    23:54 — Arquivado em: Comentários

14.9.07

Cada vez mais latino americano

O cantor e compositor Belchior é, como todos sabem, um dos nomes de proa do movimento musical que se convencionou chamar de “Pessoal do Ceará”, do qual fizeram parte também Fagner, Ednardo e outros artistas conterrâneos que despontaram para o cenário nacional no início da década de 70. Semana passada, quando esteve em Fortaleza para participar do programa “Nomes do Nordeste”, no Centro Cultural Banco do Nordeste, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes concedeu uma entrevista exclusiva à FOLHA DO CEARÁ, ocasião em que falou sobre sua trajetória artística, as músicas de sua autoria que marcaram várias gerações, os novos projetos, enfim, um verdadeiro passeio por essa longa estrada de sons e palavras que, segundo ele, o vem deixando cada vez mais latino americano. E engana-se redondamente quem pensa que, por não ter nenhuma música tocando na mídia, Belchior esteja parado. “Pelo contrário. Estou trabalhando mais do que nunca”, diz o sobralense.
FC – O que representou pra você a participação no programa “Nomes do Nordeste”?
Belchior – A certeza de que somos cada vez mais reconhecidos pelo trabalho musical desenvolvido há tanto tempo e que tantos bons frutos geraram para consolidar o Ceará como um verdadeiro pólo cultural, dando continuidade assim ao que havia sido feito antes por artistas talentosos como Lauro Maia, Humberto Teixeira, dentre outros. Durante a entrevista tivemos oportunidade de fazer uma viagem ao túnel do tempo, falando e cantando coisas que remetem à Sobral, Fortaleza, São Paulo, aos primeiros encontros com antigos e novos parceiros, ao movimento estudantil, aos festivais de música… Foi um negócio bacana, principalmente por conta do calor humano que veio da platéia.
FC – Com qual idade você começou a se interessar por música?
Belchior – Desde a infância sempre fui muito influenciado pelo meu pai, que tocava flauta e saxofone, e minha mãe, que cantava em coro de igreja. Além disso, tinha tios poetas e boêmios e ouvia muito rádio, quando os cantores que faziam sucesso eram Ângela Maria, Cauby Peixoto, Nora Ney… Fui cantador de feira e poeta repentista e estudei música coral e piano. Ainda em Sobral fui programador musical de rádio. Em 1962 vim para Fortaleza, onde estudei Filosofia e Humanidades, enveredando depois pela Medicina, curso que abandonei no quarto ano para dedicar-me à carreira artística.
FC – Hoje, com tantos anos de estrada, você sabe quantas músicas carrega na bagagem?
Belchior – Agora você me pegou. Mas acho que são mais de 300 composições gravadas por mim e por intérpretes como Elis Regina, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco, Toquinho, Jair Rodrigues, Vanusa, Wanderléa, Ney Matogrosso, Engenheiros do Hawaii, Los Hermanos, Fagner, Ednardo, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Pedro Camargo Mariano, Oswaldo Montenegro, Jessé e Chico Anysio, além da cantora italiana Gigliola Cinquetti, a dupla uruguaia Larbanois & Carrero e o estadunidense Leo Robinson.
FC – E destas, qual a que mais lhe gratifica como cantor e compositor?
Belchior – Cada música tem a sua importância, a sua posição como referência de uma época, de um momento. Para mim, a música fundamental é “Como Nossos Pais”, que virou um dos hinos da nossa geração. Ela resume todo o meu trabalho. Agora, com certeza, a que me identifica mais com o grande público é “Apenas um rapaz latino americano”. Tem outras que são bastante solicitadas nos shows, como “Galos, Noites e Quintais”, “Todo Sujo de Batom”, “Medo de Avião”, “Paralelas” e por aí vai…
FC – O fato de não ter nenhuma música tocando atualmente em rádio e televisão o incomoda?
Belchior – De jeito algum. Estou trabalhando mais do que nunca, fazendo shows, estabelecendo novas parcerias, participando de projetos especiais. Consegui cativar um público que é muito interessado em música construída de forma mais poética, que tem uma linguagem que ultrapassa essa questão da comunicação pura e simples. Que gosta de uma canção que é mais do que uma massagem pura para os ouvidos do que simplesmente uma construção para corações e mentes. Não me vejo fazendo sucesso sem o padrão poético-musical que construí ao longo desses anos. Prefiro manter meu trabalho coerente, sem deformações.
FC – É verdade que, além da música, nos últimos anos você tem desenvolvido atividades relacionadas a artes plásticas?
Belchior – Não me considero um artista plástico. Faço desenhos, pinturas, caricaturas, mas não gosto desse rótulo. E esse interesse vem desde a universidade, do começo do meu trabalho, ilustrei até capas dos meus CDs. Faço isso porque tenho espírito de renascentista, mas não pretendo completar minha música com a minha pintura, nem minha pintura com a minha música.
FC – Para encerrar, gostaríamos que você falasse sobre seus projetos atuais e/ou futuros.
Belchior – Estou preparando um CD de músicas inéditas, feitas com novos parceiros, e uma caixa de DVDs com três volumes que promete ser a grande retrospectiva de minha carreira, sem deixar de acrescentar material musical inédito. Esses novos projetos ainda não têm nome. O DVD será um trabalho mais apurado, que vai demorar a ficar pronto. Estou trabalhando nisso com muito cuidado e carinho. Quero fazer um trabalho de porte cinematográfico e não apenas essa coisa de filmar um show.

 
Essa entrevista que fiz com Belchior foi publicada no jornal Folha do Ceará

criado por juracy.mendonca    23:13 — Arquivado em: Sem categoria

Mais uma da Madá

   Minha mãe sempre foi uma fã ardorosa do ditador Getúlio Vargas. Na sua visão de mundo, o ex-presidente era visto como o "pai dos pobres". Por conta disso, ela ainda hoje odeia tudo que é de comunista e outros políticos de esquerda. Leonel Brizola, por exemplo, caiu na desgraça da Madá e não tinha quem a fizesse ouvir um discurso dele.

   Pois bem: no final da década de 80 eu trabalhava no jornal "O Estado" e fui escalado para fazer uma entrevista com a então prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele, petista de carteirinha. No dia seguinte resolvi almoçar na casa da minha mãe e, ao chegar, tentando impressioná-la, fui logo dizendo:

   - Mãe, adivinha quem eu entrevistei ontem!

   Ela, na maior tranquilidade, fazendo refresco de murici (é o novo!), respondeu:

   - Sei lá.

   E eu repliquei:

   - Ninguém mais, ninguém menos do que a prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele.

   Madalena, sem pestanejar, rebateu:

   - É por isso que eu digo que tu só se junta com quem não presta!!!     

criado por juracy.mendonca    14:43 — Arquivado em: Comentários

12.9.07

Pra quê que tu liga, rapariga?

   A história que contei aqui sobre a minha mãe, sob o título "Uma mulher invocada", deu o que falar. Vários amigos e amigas me enviaram e-mails afirmando que deram gostosas risadas após a leitura do texto.

   A maestrina Izaíra Silvino, por exemplo, que é minha prima por parte de pai e atualmente mora em Brasília, gostou tanto que pediu para eu contar outras peripécias envolvendo D. Madalena. Por isso, atendendo a esse e outros pedidos, taí mais uma da "mulher invocada".

   Anos atrás, meu irmão Lanno e sua esposa Iara viajaram de moto para passar um final de semana na cidade de Fortim. Disseram pra minha mãe que voltariam no final da tarde de domingo. Porém, na hora combinada tava caindo um tremendo toró (chuva) e eles resolveram adiar o regresso para a manhã do dia seguinte.

   Lanno ligou para D. Madalena a fim de comunicar a decisão. Mas a ligação estava daquele jeito em que ele estava ouvindo-a, mas ela não estava ouvindo-o.

   Era o Lanno dizendo:

   - Mãe, mãe!

   E D. Madalena, sem ouvir nada, dizendo:

   - Alô, alô!

   Quando disse o terceiro "alô", e não ouviu ninguém falar, minha mãe esbravejou:

   - Se não quer falar, pra quê que tu liga, rapariga?

   Do outro lado da linha, morrendo de rir, Lanno disse consigo mesmo:

   - Essa é a minha mãe!  

criado por juracy.mendonca    7:09 — Arquivado em: Comentários

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