28.10.07
A decadência do romantismo
A Música Popular Brasileira tem amargado, nas últimas décadas, uma sensível decadência no que se refere ao romantismo, notadamente na exaltação à figura da mulher. Os pesquisadores chegaram facilmente a essa conclusão após a elaboração de um estudo sobre as letras das músicas que fizeram mais sucesso em cada dezena de anos, cujo resultado expomos a seguir:
Na década de 30 do século passado, Pixinguinha disse: "Tu és divina e graciosa, estátua majestosa, do amor por Deus esculturada…” Na década de 40, o estrondo, na voz de Sílvio Caldas, afirmou: "A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar…" No início dos anos 50, Vinicius de Morais cantou: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar…” Dez anos depois, Roberto Carlos atacou com esse lirismo: "Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito, não é maior que o meu amor, nem mais bonito…”
Na década de 70 foi a vez do grupo 14 Bis encantar o público com esses versos: "Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar…” Nos anos 80 fomos embalados por Caetano Veloso, que cantou: "Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara, choque entre o azul e o cacho de acácias, você é mãe do sol…" O século foi encerrado com a voz melodiosa de Marisa Monte, cantando: “Agora vem pra perto, vem depressa, vem sem fim, dentro de mim, que eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu, me abraça devagar, me beija e me faz esquecer.“
Aí começam os anos 2000, onde a decadência se torna mais evidente, pois os maiores sucessos musicais contém frases medonhas, tipo: "Tchutchuca, vem aqui com o teu tigrão, vou te jogar na cama e te dar muita pressão…”, “Agora só as cachorras…”, “Abre as pernas, faz beicinho, vou morder o seu grelinho, abre a boca, não se espanta, vou gozar na tua garganta…”, “Vou mandando um beijinho, pra filhinha e pra vovó, só não posso esquecer da minha egüinha pocotó…”, “Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lelê, tem birita até ao amanhecer…”, “Toma gostosa, você pede e eu te dou, lapada na rachada…”
Tudo isso seria meramente cômico, se não fosse tão trágico!


criado por juracy.mendonca
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