Qual terá sido o critério que a Prefeitura de Fortaleza usou para escolher os artistas que se apresentaram nas festas de “reveillon”, especialmente aquela realizada no aterro da Praia de Iracema? Essa é a pergunta que muitos fortalezenses têm feito nos últimos dias, principalmente depois da leitura do Diário Oficial do Município, edição de 31 de dezembro de 2007, onde constam os valores pagos a cada atração.
Antes de qualquer insinuação maldosa, é preciso externar que não temos nenhuma intenção em desestabilizar a prefeita Luizianne Lins. Pelo contrário, estamos sempre de páginas abertas para colaborar com a sua administração, até porque um dos objetivos da nossa linha editorial é batalhar pelo desenvolvimento social e econômico da capital cearense. Porém, mesmo torcendo pelo sucesso da badalada “Fortaleza Bela”, não dá para ficar omisso ao tomar conhecimento dos cachês destinados a determinados artistas escalados para animar a virada de ano. Vejamos, por exemplo, o caso do humorista Falcão, que recebeu R$ R$ 88 mil. Qual empresa particular pagaria um preço tão alto por um show-brega de menos de meia hora?
Você, caro(a) leitor(a), concorda que isso é um absurdo? Pois saiba que existem outras aberrações, como os valores recebidos por Chico Pessoa (R$ 27 mil), Paulo José (R$ 30 mil), Dona Zefa (R$ 22 mil), Dorgival Dantas (R$ 52 mil), Waldonys (R$ 37 mil), Paralamas do Sucesso (R$ 394 mil) e Alcione (R$ 320 mil). Não é nem questão de querer desmerecer esses talentos, mas a verdade, inquestionável, por sinal, é que a maioria deles se apresenta constantemente em casas noturnas de Fortaleza e outras cidades por cachês que, às vezes, não chegam nem a 10% dos números acima citados.
É claro, também, e não se pode negar, que Fortaleza, nos últimos anos, tem se destacado nacionalmente pela promoção de festas de “reveillon”, com ênfase para o espetáculo de fogos de artifício, que este ano, infelizmente, foi um fiasco. E esse crescimento do evento deve ser creditado, em boa parte, aos esforços empreendidos pela atual gestão municipal. Agora, com certeza, o público presente teria vibrado muito mais com a presença de uma dessas bandas gasguitas que fazem sucesso com forró eletrônico e cobram entre R$ 10 mil a R$ 20 mil para se exibir por aí afora.
Mas, fazer o quê? As coisas, no Brasil, funcionam assim mesmo. Quando trata-se de dinheiro público, o céu é o limite. E esse “fenômeno” não é privilégio apenas da nossa “loira desposada do sol”. Duvidamos muito que essa farra aconteceria caso a festa fosse promovida por uma entidade privada. A propósito, só a título de curiosidade, procure saber quanto o Roupa Nova, um dos grupos musicais mais requisitados do país, recebeu para ser a maior atração do “reveillon” do Náutico Atlético Cearense…
(Editorial de minha autoria a ser publicado na próxima edição do jornal Folha do Ceará)