11.2.08
Roleta russa no Carnaval
Uma verdadeira carnificina, tão estarrecedora que nos remete às catástrofes registradas em países que vivem constantemente em guerra. É assim que podemos avaliar o Carnaval deste ano no Brasil, e particularmente no Ceará, quando nos debruçamos sobre a quantidade de pessoas que morreram durante o referido período.
Os números estão aí, frios e implacáveis: quase uma centena de corpos necropsiados nos IMLs – Institutos de Medicina Legal e uma quantidade maior ainda de feridos dando entrada nos hospitais públicos e particulares. Nesse quadro negro destacam-se a imprudência de motoristas nas estradas, causada quase sempre pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas; além de crimes cometidos com armas de fogo, por motivos fúteis, banais. Constatamos, assim, num misto de decepção e indignação, que a vida vem sendo cada vez menos valorizada e que, por isso mesmo, ignoramos os constantes apelos das autoridades e meios de comunicação para evitar os excessos nas brincadeiras.
O Carnaval, como todo mundo sabe, é visto pela maioria dos brasileiros como ocasião propícia para se divertir a valer. Muitos deles, sobretudo os jovens, aproveitam também para extravasar as mágoas do dia-a-dia, e chegam até a usar fantasias e comportamentos sinalizando o que gostariam de ser na vida real. Essas e outras atitudes, claro, podem ser apontadas como saudáveis, quando praticadas com bom senso e responsabilidade. Porém, o que temos visto ultimamente é que eles caem na folia como se o mundo fosse acabar na terça-feira. E saem por aí, procurando o perigo e colocando numa espécie de “roleta russa” não somente suas vidas, mas também de quem estiver por perto. E o detalhe mais intrigante, e emblemático: em quase todos os casos de violência, temos a presença nefasta do álcool e outras drogas não menos degradantes para o caráter humano.
O pior de tudo é que, a curto prazo, não temos para quem apelar. Essa idiotice, sem dúvida, é decorrente de uma falta de educação que necessita de muitos e muitos anos para ser extirpada. Até lá, só nos resta continuar lamentando que tantas vidas preciosas sejam ceifadas.


criado por juracy.mendonca
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