A maioria das pessoas não sabe, até porque, a mídia não divulga, mas em Fortaleza existe um artista que vem sendo festejado pela crítica e nos circuitos alternativos como um dos mais legítimos sucessores do “Pessoal do Ceará”, aquele movimento musical que na década de 70 revelou vários cearenses para o cenário nacional, dentre os quais a famosa trinca Fagner, Belchior e Ednardo. Estamos nos referindo a David Duarte, cantor, compositor, instrumentista e produtor musical, dono de uma técnica impecável tocando violão e voz marcante, que pode ser ouvida, por enquanto, somente nas FMs Universitária, Atlântico Sul, Tempo, Calypso e outras que conseguem ter vida própria sem se render à alienação do forró eletrônico.
E o mais interessante, para nós, é que David Duarte tem uma ligação muito forte com o Parque Araxá. Ele nasceu na rua Azevedo Bolão, quase esquina com José Sombra. Era “figurinha carimbada” em grupos de jovens das paróquias de São Gerardo e Nossa Senhora das Dores (Otávio Bonfim) e tinha muitos amigos também na Parquelândia e Monte Castelo, principalmente por causa dos festivais de música do Colégio Júlia Jorge, dos quais recorda de Gladson Façanha, Washington, Renato Campos, Olga Ribeiro, Clarêncio, Abreu Marinho, Álvaro e Idalina, dentre outros. Em 1982 foi morar no Rio de Janeiro, passando boas temporadas em São Paulo e Canoa Quebrada (CE), até se fixar novamente na capital cearense.
Com o tempo, David Duarte virou presença constante como finalista em festivais de música realizados pelo país afora, tanto que venceu por três vezes consecutivas o festival de Camocim e ficou em 2º lugar no “Canta Nordeste”, da Rede Globo (1997). Incursionou também pelo esquema de fazer música ao vivo em bares culturais e, paralelamente, destacou-se como produtor, compositor e intérprete de jingles de empresas e marcas famosas. Hoje, com três CDs no mercado, e participações em coletâneas e discos de outros intérpretes locais, começa a ter um reconhecimento cada vez maior por parte do público, sendo convidado para abrir shows de astros consagrados da MPB, bem como abrilhantar eventos importantes (como reveillon, por exemplo), promovidos por órgãos governamentais e renomadas casas noturnas da cidade.
Ele afirma que não se prende a nenhum estilo musical, estando aberto a todas as tendências que não comprometam a qualidade das mensagens que tenta repassar. Porém, ao ouvi-lo cantando, logo somos levados a fazer uma identificação com o romantismo moderno de Jorge Versilo, Zeca Baleiro e Lenine, principalmente em "O Que Eu Queria" e "Presente", canções de sua autoria que tocam nas emissoras acima citadas e se encaixariam muito bem numa trilha sonora de qualquer telenovela, global ou não. Diante do exposto, fica a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o país inteiro ainda vai se render ao talento e ao virtuosismo do menino que nasceu no Parque Araxá.
Taí o David Duarte, que entrevistei terça-feira passada, na cafeteria da Livraria Ciciliano (Aldeota). A matéria será publicada na próxima edição da Folha do Ceará. Como ele falou que nasceu no Parque Araxá, fiz essa adaptação do texto original para colocar na edição nº 100 do JPA, a ser lançada em abril.