A água, como todos sabem, é o bem maior da humanidade. Em todos os recantos do mundo, quando há prenúncio de um bom inverno, o homem renova as esperanças de continuar vivendo dignamente, tirando proveito das inúmeras oportunidades de sua utilização. Porém, no Brasil, neste ano de 2008, a chegada em abundância do precioso líquido, somada à ignorância e/ou irresponsabilidade de boa parte da sociedade, está ampliando o raio de atuação de um inimigo comum a todos nós, no caso o mosquito da dengue, resultando numa situação extremamente perigosa para milhões de brasileiros, sobretudo os moradores do Rio de Janeiro, onde o grande número de vítimas (algumas delas fatais) já é considerado um estado de epidemia.
A presença inoportuna do mosquito entre nós gera preocupação há muito tempo. A despeito dos esforços empreendidos por órgãos ligados à saúde, nas esferas municipal, estadual e federal, a verdade é que nós, autoridades e sociedade, temos sido incompetentes para barrar o avanço da temível doença, principalmente aquela caracterizada como hemorrágica, quase sempre letal. Os governos, ao longo dos anos, têm feito um grande alarde sobre as medidas que estão sendo tomadas para proteger a população, mas, na prática, os recursos disponibilizados são insuficientes para ações de tal porte. Para piorar, ainda encontramos pessoas que simplesmente não demonstram o menor apreço por suas vidas, e muito menos dos parentes e vizinhos, e por isso negam-se a colaborar para evitar a proliferação do mosquito, o que é deverasmente lamentável.
O resultado de tudo isso está aí. A dengue, que já vinha matando brasileiros em pequena escala, agora multiplicou-se quase infinitamente em tamanho. O povo carioca, aflito, está sendo o alvo das atenções de todo o país, devido ao número cada vez maior de casos registrados, tanto que médicos e enfermeiros de vários estados já se deslocaram para lá, a fim de socorrer as vítimas e conter o poder de destruição do mosquito. O mais agravante, no entanto, é que esse inimigo fortuito está agindo ferozmente também em diversas cidades brasileiras. Aqui mesmo, em Fortaleza e municípios interioranos, temos conhecimento do falecimento de pessoas, enquanto outras, em massa, procuram hospitais e postos de saúde apresentando sintomas da doença.
O caso é sério e está a exigir a participação de todos nós. Sem exagero, estamos praticamente entrando numa guerra. Cada cearense, não importa se é criança, jovem ou adulto, deve tomar para si a iniciativa de fazer o que estiver o ao seu alcance para combater o tal mosquito. Seja um fiscal da vida. Em casa, na escola, no trabalho ou em qualquer lugar onde esteja, você pode detectar possíveis focos. Se não puder eliminá-los, denuncie na imprensa ou comunique diretamente aos órgãos encarregados da saúde pública. Apesar de parecer frágil, o inimigo é bastante poderoso. E se ficarmos de braços cruzados, cedo ou tarde, ele estará batendo em nossas portas. Aí, infelizmente, pode ser tarde demais para tomarmos outra atitude.
(Editorial de minha autoria, publicado no jornal Folha do Ceará)