9.5.08
Do tempo em que a gente era feliz
Recentemente, li na net um texto muito interessante, de autoria dos internautas Dejan Trifunovic e Ricardo Lyra, que mostravam-se impressionados com o fato de muitas pessoas que eram crianças ou adolescentes nos anos 60 e 70 ainda estarem vivas atualmente. Eles citaram várias coisas que eram feitas naturalmente nas referidas épocas, e que hoje são totalmente incorretas política e socialmente falando, além de atentarem contra a própria saúde:
Os carros não tinham cintos de segurança, nem air-bag, e muito menos travas de segurança nas portas. A gente andava de bicicleta sem capacete, joelheiras, caneleiras e cotoveleiras. Bebíamos água de filtro de barro, da torneira, de uma mangueira ou mesmo de uma fonte. Se estudávamos pela manhã, passávamos a tarde na rua (e vice-versa) e só voltávamos para casa ao anoitecer. Nossos pais nem sabiam onde estávamos, pois não havia telefone celular. Comíamos doces, pão com manteiga e bebidas com açúcar à vontade; dividíamos refrigerantes gole a gole com irmãos, primos e amigos, e ninguém morreu por isso…
Íamos à casa dos amigos, mesmo que eles morassem a quilômetros de distância, entrávamos sem bater e ficávamos apenas brincando de bila, triângulo, bola, jogo de botão, carrinhos de madeira, boneca, médico, anel e outros passatempos até então inocentes. As festas eram animadas por radiolas com agulhas de diamantes deslizando sobre discos de vinil, luz negra e um delicioso coquetel, apelidado de “leite de onça”. Nem sonhávamos com Playstations, Nintendo, jogos de vídeo, internet por satélite, videocassete, DVD, celular com câmera digital, computador etc.
Realmente, Trifunovic e Lyra estão cobertos de razão. É impressionante como nós, que vivenciamos os anos 60 e 70, conseguimos sobreviver e, principalmente, desenvolver uma personalidade. Lendo essas linhas, os leitores mais novos podem até achar que nossas infâncias e adolescências foram uma chatice. Mas é aí que eles se enganam: éramos felizes, pois não precisávamos nos submeter a tantos modismos criados pelo capitalismo moderno apenas para encher as burras de grana.


criado por juracy.mendonca
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