Blog do Juracy Mendonça

Juracy Mendonça, cantor, compositor, escritor e jornalista. É editor do Jornal do Parque Araxá e Jornal O Centro, em Fortaleza. Contatos: (85) 3243-4779 / 9954-1017. E-mail: juracymendonca@gmail.com / juramendonca@hotmail.com

18.12.08

Santa correia!

Hoje, não sei bem por qual motivo, amanheci o dia lembrando-me de uma tira de couro que ajudou minha mãe a criar seus cinco filhos. A “bichinha”, na mão da Madalena, era pesadinha que só vendo (ou sentindo!). Ficava pendurada na parede da cozinha, como se estivesse a nos avisar que, caso cometêssemos alguma falta grave, ela entraria em ação. E entrava mesmo. Todos nós (eu, Fátima, Juralice, Juari e Lanno) fomos “brindados” com correiadas nas pernas e no bumbum até chegarmos à adolescência, para não reincidir nos erros cometidos.

            Refletindo sobre este tema, me veio à mente o modo como determinadas famílias educam seus filhos e netos nestes tempos atuais, onde quem dita as normas são os psicólogos e psicolóides… Hoje em dia, se você der uma simples palmada numa criança, com objetivo de repreendê-la por alguma danação, pode ser acusado de ter cometido um crime quase hediondo, inafiançável. Segundo os educadores ditos modernos, “o bichinho pode ficar traumatizado, pode ficar com ódio dos pais, transformar-se num adulto violento e até descambar para a marginalidade”, dentre outras baboseiras.

            Pois a minha mãe, na sua santa ignorância, criou cinco filhos com auxílio de uma correia. O lema era o seguinte: errou, apanhou, para não errar de novo! E nenhum de nós ficou com raiva dela ou transformou-se num adulto violento, e nem descambou para a marginalidade. Pelo contrário, todos fazem o possível para marcar presença na sua residência, assisti-la nos momentos difíceis e participar de eventos festivos onde ela é a figura principal. Eu, por sinal, todas as vezes em que falo com a Madá, peço a sua bênção (será que os meninos de hoje sabem o que é isso?).

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2.11.08

Pirambulando!

     Semana passada, depois de vários anos, percorri algumas ruas do Pirambu, bairro onde nasci. Aproveitei a ida à casa da minha mãe e passei por trechos da Nossa Senhora das Graças, Santa Inês, São Raimundo, Santa Elisa, Álvaro de Alencar e avenida Pasteur, bem pertinho da praia onde, nos tempos de infância e juventude, eu jogava bola, tomava banho de mar, fazia algazarra com amigos e paquerava as cocotas (é o novo) da época.
     Por alguns minutos eu voltei ao passado, lembrando de momentos felizes que vivi naquele pedaço de chão tão marginalizado pela maioria do povo de Fortaleza. No entanto, as lembranças vieram embaraçadas com a constatação de que tudo ali está mudado. Ficou difícil até de identificar algumas casas, que agora são quase todas em estilo “duplex”. A larga faixa de areia molhada, onde a gente batia os famosos rachas, já não existe mais, por conta do avanço do mar. A água, outrora límpida, deve estar altamente poluída. Os amigos sumiram quase todos (uns casaram, outros mudaram de bairro e/ou de cidade, morreram ou estão presos…). Onde estarão as tais cocotas? Umas devem ter ficado pra titias, outras casaram e (quem sabe?) já são até avós!
     De repente, o celular tocou. Era um dos meus editores, perguntando se já havia terminado a matéria que ele havia pedido pra eu fazer. Isso me obrigou a voltar à realidade, a enfrentar o trânsito caótico e demais problemas que afligem o dia-a-dia de quem vive na cidade grande. O remédio, para amenizar a melancolia, foi chegar em casa, ligar o computador e ouvir várias vezes a música “Pirambulando”, de minha autoria, lançada em 1999, no CD “Outros Caminhos”, cuja letra é a seguinte:

 
           Vinha o morro entardecendo
           bem por cima dos meus sonhos,
           enquanto raios solares
           refletiam nas paredes
           da casinha onde nasci 

           Vejo a praia escurecendo,
           abraçando seus amantes, 
           saudades das luaradas,
           dos camaradas, enfim
           do lugar onde cresci

           Hoje volto a ser criança
           quando passo em teus caminhos,
           me vejo pirambulando
           e assim vou recordando
           o tempo bom que vivi

           Me vejo pirambulando
           na canção vou recordando
           o tempo bom que perdi

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19.10.08

O gato comeu meu peixe

     Hoje eu quase morria de tanto rir. Cheguei até a me engasgar com água. Estava tomando café da manhã com Marinete, Thiago e Thaís e, sem vê nem pra quê, resolvi contar a eles uma cena hilária que aconteceu na minha infância. Vou contar pra vocês também:

     Eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade, época em que a coisa mais difícil do mundo era aparecer um carro na rua Felipe Camarão (Pirambu), onde eu morava. Um belo dia, estava na cozinha, comendo um peixe frito com o maior prazer (peixe frito sempre foi o meu prato preferido), quando ouvi o barulho de um Jeep passando na rua. Imediatamente, esqueci a comida e corri para ver o veículo. Instantes depois, quando voltei para terminar o almoço, um gato havia comido meu peixe!

     Hoje, após tanto tempo, conto essa história às gargalhadas, constatando o quanto eu era, digamos assim, matuto. Mas a Madalena, minha mãe, com certeza ainda deve se lembrar do tanto que chorei de ódio do gato, pois ele roubou o último pedaço de peixe que havia em casa naquele dia.    

criado por juracy.mendonca    12:46 — Arquivado em: Comentários

15.10.08

A divisão que enfraquece

     Conhecidos os resultados das eleições do dia 5 de outubro, chegamos à dolorosa conclusão de que, mais uma vez, o JPA pregou no deserto quando pediu aos moradores do Parque Araxá para que votassem em candidatos a vereador que trabalham pelo crescimento do bairro, ignorando, ao mesmo tempo, aqueles que só aparecem por estas bandas de quatro em quatro anos, tentando comprar as consciências cívicas de parentes e amigos. 
    

     Uma rápida olhada no site do TRE do Ceará é suficiente para a gente perceber que quase todos os postulantes a uma vaga na Câmara Municipal, espalhados pela cidade inteira, receberam centenas de votos em seções aqui localizadas, numa clara demonstração de que não estamos muito preocupados com o futuro das nossas comunidades. Ou seja: a maioria esmagadora do eleitorado ainda prefere votar em qualquer um, contanto que receba alguma compensação material ou financeira, contribuindo diretamente para a vitória de vereadores que não sabem nem onde fica o Parque Araxá.

     O JPA foi derrotado também quando sugeriu às nossas lideranças políticas e/ou comunitárias que se unissem em torno de uma candidatura, colocando em prática um tipo de articulação que já é realidade em grandes cidades brasileiras, onde os moradores elegem um determinado morador, sob o compromisso de que o mandato parlamentar dê prioridade à melhoria das condições de vida social e econômica do bairro. Aqui, o que se viu foi a repetição dos mesmos erros de campanhas passadas: uma enxurrada de candidatos, alguns deles preocupados apenas em se dar bem financeiramente, de olho nos altos salários e outras mordomias destinadas a quem ocupa o referido cargo. 
    

     Diante do exposto, fica mais uma vez a lição. Divididos, seremos sempre fracos politicamente. Enquanto formos movidos somente por interesses individuais, em detrimento de um projeto mais amplo, em torno de um nome que vise, acima de tudo, o bem-estar da coletividade, seremos presas fáceis para quem pretende chegar ao poder transformando o voto numa mercadoria barata, bem como para os “candidatos copa do mundo”, aqueles que, eleitos ou não, só aparecem de quatro em quatro anos. 
    

     Tudo isso seria cômico, se não fosse tão trágico.

     (Editorial a ser publicado no JPA de novembro/2008)

criado por juracy.mendonca    19:38 — Arquivado em: Comentários

10.10.08

Mamografia e leiteiro

     "A Inguinorança é qui estravanca o progueço."

     Era assim, de forma propositalmente atabalhoada, que Luís Melo, meu professor de Português dos tempos de ginásio, escrevia na lousa (é o novo!), com objetivo de mostrar aos alunos que um dos principais motivos do atraso sócio-cultural e econômico em que o Brasil se encontrava era o pouco ou nenhum apego do povo às letras. "A maioria dos brasileiros não dá a menor importância à leitura. Por isso, não sabe ler, escrever e nem falar corretamente", dizia ele. Hoje, algumas décadas depois, me lembro do saudoso mestre todas as vezes em que ouço ou vejo uma pessoa ler, escrever ou falar de forma incorreta.

     Por coincidência, na semana eu presenciei dois casos clássicos de ignorância verbal e/ou gramatical. Vocês podem pensar que são invenções minhas. Porém, infelizmente, aconteceram de verdade. Confiram:

     1º) Eu estava na fila de um banco quando passei a ouvir um rápido diálogo entre duas universitárias de uma faculdade particular. Lá pras tantas, uma delas disse:

     - Mulher, não sei como vai ser. No próximo ano eu vou terminar a faculdade e ainda não sei qual vai ser o tema da minha "mamografia".

     (Com certeza ela queria dizer: MONOGRAFIA)

     2º) Eu vinha caminhando por uma rua do Parque Araxá e fui abordado por um rapaz. Ele pretendia inaugurar uma loja no bairro e queria saber os preços para colocar um anúncio no JPA. Depois que repassei as informações necessárias, ele respondeu:

     - Valeu. Primeiro eu vou colocar um "leiteiro" aqui na fachada. Depois eu coloco o anúncio no jornal.

     (Saí do local sem saber se ria ou se chorava, na certeza de que o cidadão teria que colocar um LETREIRO na fachada, e não um "leiteiro".)

     Ah, Brasil!!!    

criado por juracy.mendonca    9:42 — Arquivado em: Comentários

6.10.08

Eu já sabia!

     Os amigos e amigas que acessam este blog por certo devem estar lembrados do comentário que fiz aqui no dia 29 de agosto, sob o título “Urna não é penico”, onde eu afirmei com todas as letras que a prefeita Luizianne Lins seria reeleita, sem necessidade de segundo turno.
     Não deu outra! Ao escolher a “loura” para ficar mais quatro anos à frente do Paço Municipal, a maioria do eleitorado fortalezense só veio ratificar a minha linha de raciocínio dando conta de que sua administração não é lá essas maravilhas, mas também não é das piores, e ela sairia vitoriosa porque não havia adversários em condições de derrotá-la. A campanha foi tão fraca que ficou marcada apenas pela competência da propaganda da Luizianne, a truculência do Moroni, a esquizofrenia da Patrícia e a hilariedade do Aguiar Jr., com o seu famigerado “obrigado, Fortaleza”.
     Por fim, só nos resta lamentar que mais uma vez o Parque Araxá tenha ficado sem representante na Câmara Municipal, devido ao excessivo número de candidatos. Essa divisão termina por enfraquecer o bairro politicamente, pois os votos são diluídos entre várias postulações. As votações de Luiz Arruda (5.797), João Ricardo (3.658), Alan Terceiro (2.056), Professor Tenório (1.399), Carlos Colares (661), Eudes Guimarães (458), Orleans Aguiar Carneiro (391), Cizé (381), Flavinho do Radiador (293), Compadre Rogério (240) e Joana Lisboa (174), juntas, são suficientes para eleger dois vereadores, dependendo da legenda.
     Sei que é sonhar demais, mas continuo afirmando que esta é a única saída para que um dia o bairro volte a ser respeitado pelas autoridades, como acontecia no tempo do saudoso vereador Eurico Matias.

criado por juracy.mendonca    20:17 — Arquivado em: Comentários

29.8.08

Urna não é penico!

     O pleito municipal deste ano em Fortaleza começa a entrar na reta final. Os eleitores, que antes mostravam-se alheios, agora já participam das discussões e, por incrível que pareça, demonstram até uma certa preocupação com a escolha dos homens e/ou mulheres que nos próximos quatro anos estarão defendendo nossos interesses coletivos na Prefeitura e na Câmara Municipal.
     Com relação ao Poder Executivo, acho que a prefeita Luizianne Lins vai ser reeleita. Sua administração não é lá essas maravilhas, mas também não é das piores. Se bobearem, a vitória pode acontecer ainda no primeiro turno, porque não existe adversário em condições de derrotar a “loura”. Moroni, coitado, há quase 30 anos colocou na cabeça que tem que ser prefeito da capital alencarina. Candidatou-se ao cargo várias vezes, mas o povo já mostrou que não quer ser governado por nenhum “xerife”. E quando o povo não quer, é osso! Patrícia, meu Deus, com apoio de Tasso Jereissati, é derrota na certa, pois, como se sabe, o fortalezense tem ojeriza ao “galego”. Adahil Barreto achou de se encostar em Lúcio Alcântara, outro que não transfere votos pra ninguém na capital. Roseno, Aguiar Jr. e Luiz Gastão poderiam ser boas alternativas, mas ainda têm que comer muito milho para chegar ao poder municipal. Os outros postulantes, de tão inexpressivos, não lembro nem os nomes. Diante do exposto, não é por acaso que por onde a gente passa escuta as pessoas cantando essa musiquinha: “Eu quero, quero, quero mais, quero ficar do lado dela…”
     Agora, o que tem chamado mais atenção na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV é a performance de determinados candidatos a vereador. Eu nunca havia visto tanta marmota junta! Tem gente que não sabe sequer pronunciar as palavras candidato e número, substituindo-as por “canidato” e “númuro”, e fica prometendo coisas que não têm nada a ver com a função de um parlamentar. Um diz que vai criar o Dia das Viúvas e o Dia das Mães Solteiras; outro afirma que vai fazer aniversário no dia 5 de outubro e quer o voto do eleitor de presente; outro fica imitando um “ki, ki, ki”, como se tivesse tangendo galinha… Ah, uma jaula!
     Ainda bem que existem bons candidatos, que dão um aspecto de seriedade ao processo eleitoral. Se vão sair vitoriosos ou não, só as urnas dirão. Particularmente, torço por uma renovação completa na Câmara Municipal, pois os atuais vereadores são tão fraquinhos que não aprovaram nenhum projeto de grande importância para a cidade. Não posso revelar em quem vou votar. Nesse caso, estou agindo como um magistrado. Afinal de contas, tenho 13 amigos na disputa.
     E você, caro(a) amigo(a), preste atenção no que vai fazer com o seu voto. Antes de tomar a decisão final, lembre-se: urna não é penico!

criado por juracy.mendonca    21:25 — Arquivado em: Comentários

12.8.08

Essa é boa!

     Hoje eu amanheci recordando uma das passagens marcantes desta minha vida de comunicador, que já está prestes a completar 30 anos:

     Por volta de 2003, aos domingos, eu fazia um programa na Rádio Portugal FM, emissora comunitária pertencente ao amigo Gilmar Gondim. O programa tinha uma audiência legal, só tocava MPB, Jovem Guarda e músicas internacionais do tempo das tertúlias.

     Um belo dia, recebi um aviso de que iria haver uma reunião de emergência na rádio, para tratar de um assunto deveras importante. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que a reunião era sobre o sumiço de um CD de uma banda de forró chamada "Caça Cabaço".

     Quando a reunião começou, os locutores e operadores passaram a explicar que não tinham visto o tal CD, outros apresentavam até álibis para provar suas inocências, mas o dono do CD estava inconformado, queria porque queria que dessem conta da sua "pérola". E eu ali, calado e indignado diante daquela cena burlesca.

     Em dado momento, o Gilmar Gondim olhou pra mim e disse:

     - E você, Juracy? Tá aí, calado! Quer dizer alguma coisa? 

     Eu, calmamente, respondi:

     - Eu tô aqui pensando na minha vida. Já passei dos 40 anos, meus dois filhos já estão criados e agora estou sendo obrigado a participar de uma reunião como suspeito de ter roubado o CD de uma banda chamada "Caça Cabaço"…

     Meu amigo Gerardo Anésio, que estava próximo a mim, olhou para o dono do CD e perguntou:

     - Por acaso você já procurou no cesto de lixo?

      Depois dessas, o Gilmar Gondim deu a reunião por encerrada e até hoje não sei se o tal CD apareceu ou não!    

criado por juracy.mendonca    17:29 — Arquivado em: Comentários

1.8.08

O uso de drogas

 Por Luiz Fernando Veríssimo

     Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de “experimenta, depois, quando você quiser, é só parar…” E eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira.
     Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente. Comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi:
     - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.
     Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de axé. Ele dizia que era para relaxar. Sabe? Coisa leve… Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores… É O Tchan, Companhia do Pagode e muito mais.
     Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria: um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela!
     Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais… Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a revista “Caras” que tinha o Rodriguinho na capa.
     Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto na platéia vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, no palco eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados.
     Lembro-me de um dia, quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As melhores do Molejo". Foi terrível! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada.
     Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas.
     Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido. E quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras… Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.
     Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart, Beethoven e Bach.
     Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente.
     Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
     - Não ligue a TV no domingo à tarde;
     - Não entre em carros com adesivos "Fui…..";
     - Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Domingo Legal do Gugu;
     - Mulheres gritando histericamente são outro indício;
     - Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
     - Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
     - Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil;
     - Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
     Diga não às drogas!
     A vida é bela! Eu sei que você consegue!

criado por juracy.mendonca    17:48 — Arquivado em: Comentários

13.6.08

As três fases do homem

     Ontem à noite, em clima de Dia dos Namorados, eu e Marinete participamos de uma noitada super agradável naquela churrascaria localizada na pracinha da Jovita Feitosa (esquina das ruas Bernardo Figueiredo e Francisca Clotilde), tomando cerveja e comendo pizza juntamente com os nossos amigos Roseno, D. Toinha, Zé Monte, Medeiros, Clécia, Alan e Josenildo.

     No meio do bate-papo, começamos a contar piadas, quase todas tendo como tema as vitórias e fracassos do ser humano em relação ao sexo. De repente, Roseno, do alto dos seus quase 80 anos de idade, bebendo Coca-Cola, pediu a palavra e afirmou:

     - Basicamente, em termos de sexo, o homem passa por três fases distintas na vida: Na primeira, ele come e não paga. Na segunda, ele paga e come. E na terceira, ele paga e não come!    

criado por juracy.mendonca    10:04 — Arquivado em: Comentários

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