Blog do Juracy Mendonça

Juracy Mendonça, cantor, compositor, escritor e jornalista. É editor do Jornal do Parque Araxá e Jornal O Centro, em Fortaleza. Contatos: (85) 3243-4779 / 9954-1017. E-mail: juracymendonca@gmail.com / juramendonca@hotmail.com

1.1.09

A Folha tá dando “game over”

É moçada, a Folha do Ceará está dando “game over”!

O projeto, iniciado em outubro de 2006, até que chegou a empolgar um bocado de gente. O jornal estava ficando bem redondinho, com matérias que o faziam se diferenciar da concorrência, sendo uma excelente alternativa de leitura para o povo cearense. Porém, nos últimos meses começou a sofrer problemas em sua parte administrativa e o resultado é que hoje ele está respirando com a ajuda de aparelhos, esperando apenas para saber quem vai ser o último a sair, para apagar a luz.

Ainda bem que, entre tantos defeitos, Deus me deu uma grande virtude: a capacidade de não ficar de braços cruzados diante dos fatos que dizem respeito ao meu trabalho. Quando sinto que estão fechando uma porta para mim, já começo a olhar para outra janela. Por conta disso, quando fevereiro deste ano chegar, eu e meus amigos Elieudo Sérgio e Jarí Cavalcante estaremos lançando o jornal O CENTRO, que pretende contar mensalmente o passado e o presente do coração de Fortaleza, mais precisamente do quadrilátero formado pelas avenidas do Imperador, Leste-Oeste, Dom Manuel e Domingos Olímpio. Afinal de contas, a fila tem que andar!

Feliz 2009 pra todos vocês!  

criado por juracy.mendonca    10:54 — Arquivado em: Sem categoria

12.12.08

Festival de Marchinhas

     Recebi com muita alegria o convite para ser jurado do 1º Festival de Marchinhas Carnavalescas Lauro Maia, cujo lançamento oficial aconteceu hoje, pela manhã, no pólo de lazer da avenida Sargento Hermínio, numa promoção da Associação Comunitária do Bairro Ellery, em parceria com o bloco pré-carnavalesco Sai na Marra.

   Senti-me lisonjeado com o convite, principalmente porque considero o evento de grande importância para estimular, resgatar e honrar um dos ícones dos carnavais de outrora, no caso a marchinha, além de promover um intercâmbio artístico-cultural entre blocos, grupos culturais e artistas que estão engajados no processo de revitalização do carnaval cearense, notadamente através dos eventos de pré-carnaval.

      0 1º Festival de Marchinhas Carnavalescas Lauro Maia terá a seguinte premiação: Campeão: troféu + R$ 1.000,00; Vice-campeão: troféu + R$ 500,00; 3º colocado: troféu + R$ 250,00; além de troféus para Melhor Letra e Melhor Intérprete. As inscrições estarão abertas entre os dias 20 de dezembro e 9 de janeiro, na sede da Associação Comunitária do Bairro Ellery, e a apresentação das 12 músicas finalistas está marcada para o dia 1º de fevereiro, no pólo de lazer da avenida Sargento Hermínio, seguindo-se a divulgação do resultado, entrega de prêmios aos vencedores, baile e abertura oficial do pré-carnaval do bloco Sai na Marra.

     Maiores informações sobre todas as etapas do festival podem ser obtidas pessoalmente, na sede da ACBE (Rua Dr. Almeida Filho, 326, Bairro Ellery), através dos fones 3478.0495, 8770.2118 (Aguinaldo Aguiar), 9977.1928 (Vicente Rodrigues) e 8784.1520 (Beethoven Rodrigues), pelo e-mail festival@bairroellery.com.br ou no site www.bairroellery.com.br.

criado por juracy.mendonca    19:07 — Arquivado em: Sem categoria

7.4.08

Luizianne na lagoa

     Desculpem pela ausência de posts nos últimos dias. Um problema de ordem técnica me deixou sem internet por quase uma semana.
     Quarta-feira passada, encontrava-me em casa, trabalhando, quando fui informado de que a prefeita Luizianne Lins estava bem pertinho de mim, na lagoa do Porangabussu. Imediatamente, meu faro de repórter entrou em ação. Do jeito que estava, usando apenas bermuda, camiseta e sandálias, peguei a câmara digital e o gravador e me mandei para o local, a fim de pegar detalhes de tão ilustre visita.
     Luizianne disse que veio cobrar mais responsabilidade da empresa encarregada de executar os trabalhos de urbanização da lagoa, que foram iniciados em junho de 2006. Até agora só fizeram a limpeza, com o fechamento de esgotos clandestinos; e o calçadão, que ainda está em andamento. O projeto inclui também dois campos de futebol, uma quadra de futsal, playground, quiosques, equipamentos para exercícios e até um píer para os pescadores.
     Após a conversa com o representante da empresa, a prefeita anunciou que um dos motivos da demora foi o processo de indenização de imóveis localizados nas margens do logradouro, recentemente concluído, e que tudo isso será entregue à população no dia 2 de junho. Na verdade, falta fazer muita coisa, mas eu acredito que a promessa será cumprida. Afinal de contas, estamos em ano de eleição, né?

 
A prefeita prometendo entregar a obra em 60 dias

criado por juracy.mendonca    16:58 — Arquivado em: Sem categoria

30.1.08

Fortaleza esvaziada

     Fortaleza, ao que tudo indica, será mais uma vez esvaziada durante o carnaval. Pesquisas feitas recentemente, em vários canais de comunicação, indicam que, apesar dos esforços empreendidos por órgãos públicos, entidades, artistas e intelectuais comprometidos com o resgate do período momino, a verdade é que cerca de 30% da população vai debandar para cidades interioranas, notadamente aquelas que possuem praias, sendo que uma pequena parte deste percentual pretende fugir da folia, participando de retiros religiosos ou abrigando-se em sítios e fazendas. É interessante ressaltar também que os moradores que vão ficar por aqui não contribuem em praticamente nada para a animação, posto que a maioria esmagadora revelou que não gosta e/ou não entra nas brincadeiras.

     Tendo acesso a estes dados, vêm-nos à memória os tempos de outrora, quando a capital cearense era conhecida por sua efervecência no reinado de Momo. Nos clubes, nas praias, nas ruas, praças e avenidas, enfim, nos quatro cantos da cidade, o fortalezense tinha acesso a diversificadas maneiras de curtir a festa, tendo como ponto alto o chamado “corso”, desfile de agremiações carnavalescas na rua Senador Pompeu e, posteriormente, na avenida Duque de Caxias, onde destacavam-se escolas de samba como Ispaia Brasa, Prova de Fogo, Luiz Assunção, os maracatus Leão Coroado, Rei de Paus, Ás de Ouro e tantos outros que os novos tempos se encarregaram de ignorar. Alguns deles ainda hoje tentam, a duras penas, permanecer na ativa, muito mais pela vontade dos integrantes de preservar a tradição iniciada por seus antepassados. 

     Tudo isso começou a ir por água abaixo a partir da década de 80, quando empresários descompromissados com a verdadeira essência do carnaval passaram a promover eventos em outras cidades cearenses, contando, para isso, com a colaboração das prefeituras, em troca de dividendos políticos e financeiros. E esse é um processo que, infelizmente, parece não ter volta. O povo que antes era habituado a cantar e dançar frevos e marchinhas, hoje é sutilmente “forçado” a brincar ao som de música baiana, forró e outros ritmos que não lembram em nada os toques dos clarins que imortalizaram Zé Pereira. A descaracterização é tão gritante que se alguém perguntar aos jovens de hoje, só por curiosidade, quem foi Zé Pereira, com certeza nenhum deles saberá responder corretamente.

     Agora está mais do que provado que Fortaleza ganhou essa pecha de “cidade-dormitório” no referido período por culpa dos nossos governantes. E um exemplo claro disso é o pré-carnaval, que este ano teve mais de 60 blocos, espalhados por todos os bairros, contando com expressiva participação de crianças, jovens e adultos, num clima de muita alegria e descontração. Isso mostra que o alencarino gosta do carnaval autêntico, mas a força da mídia o direciona para outras pairagens, onde passa quatro dias fazendo aberrações que, de tão paupérrimas, são deletadas de sua memória já na quarta-feira de cinzas.

     (Editorial de minha autoria, publicado na edição desta semana do jornal Folha do Ceará) 

criado por juracy.mendonca    8:11 — Arquivado em: Sem categoria

6.1.08

Folia antecipada

     Fortaleza já está em clima de pré-carnaval. Pude constatar isso pessoalmente, neste final de semana, quando fui escalado para fazer uma matéria sobre a folia antecipada, a ser publicada na próxima edição da Folha do Ceará.

     Na sexta-feira conferi a estréia da Cabra Ensopada, no Rodolfo Teófilo. No sábado estive na Rua Marechal Deodoro (Benfica), dando uma olhada na animação dos blocos Cachorra Magra e Unidos da Cachorra. Hoje, pela manhã, fui ao Pólo de Lazer da Sargento Hermínio (Bairro Ellery), no primeiro desfile deste ano do Sai na Marra. A "turnê" foi encerrada no Parque Araxá, no final da tarde, onde o meu amigo Paulinho do Frango está comandando o Araxá Folia.

     Daqui até o final de janeiro, o pau que vai rolar é a gente ver crianças, jovens e adultos cantando e dançando antigos frevos e marchinhas carnavalescas, do tempo do "Mamãe, eu quero", em clima de muita alegria e descontração.

 
Descontração na Cachorra Magra


Alegria marcou a estréia do Sai na Marra

 

Kiko Silva, repórter-fotográfico do Diário do Nordeste (meu amigo das antigas), estava fazendo a cobertura no Bairro Ellery

Marinete e o casal Ana e Paulinho (com o filho Lucas) no pré-carnaval da Unidos da Cachorra

criado por juracy.mendonca    21:02 — Arquivado em: Sem categoria

Folia antecipada

     Fortaleza já está em clima de pré-carnaval. Pude constatar isso pessoalmente, neste final de semana, quando fui escalado para fazer uma matéria sobre a folia antecipada, a ser publicada na próxima edição da Folha do Ceará.

     Na sexta-feira conferi a estréia da Cabra Ensopada, no Rodolfo Teófilo. No sábado estive na Rua Marechal Deodoro (Benfica), dando uma olhada na animação dos blocos Cachorra Magra e Unidos da Cachorra. Hoje, pela manhã, fui ao Pólo de Lazer da Sargento Hermínio (Bairro Ellery), no primeiro desfile deste ano do Sai na Marra. A "turnê" foi encerrada no Parque Araxá, no final da tarde, onde o meu amigo Paulinho do Frango está comandando o Araxá Folia.

     Daqui até o final de janeiro, o pau que vai rolar é a gente ver crianças, jovens e adultos cantando e dançando antigos frevos e marchinhas carnavalescas, do tempo do "Mamãe, eu quero", em clima de muita alegria e descontração.

  

Bandinha tocando frevos e marchinhas no Araxá Folia

 

Foliões dançando e tomando banho de espuma

"Sucesso", uma das figuras mais conhecidas do Parque Araxá, não podia faltar

Outra presença marcante no Araxá Folia: o índio da Cândido Jucá

criado por juracy.mendonca    20:24 — Arquivado em: Sem categoria

5.1.08

O Céu é o limite

     Qual terá sido o critério que a Prefeitura de Fortaleza usou para escolher os artistas que se apresentaram nas festas de “reveillon”, especialmente aquela realizada no aterro da Praia de Iracema? Essa é a pergunta que muitos fortalezenses têm feito nos últimos dias, principalmente depois da leitura do Diário Oficial do Município, edição de 31 de dezembro de 2007, onde constam os valores pagos a cada atração.
     Antes de qualquer insinuação maldosa, é preciso externar que não temos nenhuma intenção em desestabilizar a prefeita Luizianne Lins. Pelo contrário, estamos sempre de páginas abertas para colaborar com a sua administração, até porque um dos objetivos da nossa linha editorial é batalhar pelo desenvolvimento social e econômico da capital cearense. Porém, mesmo torcendo pelo sucesso da badalada “Fortaleza Bela”, não dá para ficar omisso ao tomar conhecimento dos cachês destinados a determinados artistas escalados para animar a virada de ano. Vejamos, por exemplo, o caso do humorista Falcão, que recebeu R$ R$ 88 mil. Qual empresa particular pagaria um preço tão alto por um show-brega de menos de meia hora?
     Você, caro(a) leitor(a), concorda que isso é um absurdo? Pois saiba que existem outras aberrações, como os valores recebidos por Chico Pessoa (R$ 27 mil), Paulo José (R$ 30 mil), Dona Zefa (R$ 22 mil), Dorgival Dantas (R$ 52 mil), Waldonys (R$ 37 mil), Paralamas do Sucesso (R$ 394 mil) e Alcione (R$ 320 mil). Não é nem questão de querer desmerecer esses talentos, mas a verdade, inquestionável, por sinal, é que a maioria deles se apresenta constantemente em casas noturnas de Fortaleza e outras cidades por cachês que, às vezes, não chegam nem a 10% dos números acima citados.
     É claro, também, e não se pode negar, que Fortaleza, nos últimos anos, tem se destacado nacionalmente pela promoção de festas de “reveillon”, com ênfase para o espetáculo de fogos de artifício, que este ano, infelizmente, foi um fiasco. E esse crescimento do evento deve ser creditado, em boa parte, aos esforços empreendidos pela atual gestão municipal. Agora, com certeza, o público presente teria vibrado muito mais com a presença de uma dessas bandas gasguitas que fazem sucesso com forró eletrônico e cobram entre R$ 10 mil a R$ 20 mil para se exibir por aí afora.
     Mas, fazer o quê? As coisas, no Brasil, funcionam assim mesmo. Quando trata-se de dinheiro público, o céu é o limite. E esse “fenômeno” não é privilégio apenas da nossa “loira desposada do sol”. Duvidamos muito que essa farra aconteceria caso a festa fosse promovida por uma entidade privada. A propósito, só a título de curiosidade, procure saber quanto o Roupa Nova, um dos grupos musicais mais requisitados do país, recebeu para ser a maior atração do “reveillon” do Náutico Atlético Cearense…

     (Editorial de minha autoria a ser publicado na próxima edição do jornal Folha do Ceará)

criado por juracy.mendonca    12:42 — Arquivado em: Sem categoria

3.1.08

Araxá Folia

     O Araxá Folia, tradicional bloco pré-carnavalesco de Fortaleza, foi um dos aprovados no edital lançado no final do ano passado pela Funcet – Fundação de Cultura, Esporte e Turismo, devendo desfilar pelas ruas e avenidas do Parque Araxá nos quatro domingos de janeiro (dias 6, 13, 20 e 27), a partir das 16 horas, com a concentração na esquina das ruas Padre Cícero e Frei Marcelino. “A comunidade pediu e nós resolvemos fazer as festas nas tardes de domingo, até mesmo como forma de fugir da concorrência dos outros blocos, que saem nos sábados”, diz o produtor cultural Paulinho do Frango, que é um dos organizadores.
     A agremiação, fundada há oito anos por um grupo de moradores do bairro (empresários, profissionais liberais, poetas, jornalistas, fotógrafos etc.), é puxada por uma bandinha que toca frevos e marchinhas de carnavais do passado, levando centenas de foliões (crianças, jovens e adultos) a cantar e dançar com irreverência, tudo isso num clima de segurança, alegria e descontração, com barracas vendendo bebidas e comidas típicas, banheiros químicos e apoio da Prefeitura de Fortaleza, através da SER III, Funcet, AMC e SOS, bem como de outros órgãos e empresas particulares e/ou públicas como Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

criado por juracy.mendonca    7:50 — Arquivado em: Sem categoria

28.9.07

Chantagem emocional

     Já faz algum tempo que o humorista cearense Renato Aragão, utilizando o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef no Brasil, envia correspondências para milhares de residências do país inteiro, pedindo doações mensais para ajudar na educação e alimentação de crianças assistidas pelo programa “Criança Esperança”, realizado pela Rede Globo de Televisão. E, neste ano de 2007, o renomado “Didi” resolveu apelar para a chantagem emocional em relação às pessoas que não participam da referida campanha, responsabilizando-as por vários problemas que comprometem o presente e o futuro dos “baixinhos” que atualmente vivem em situação precária nos principais centros urbanos. Num dos trechos, ele escreveu: “Você sabia que, enquanto está lendo esta carta, muitas crianças estão perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação?”.

     Não há como deixar de louvar a atitude de Renato Aragão em trabalhar em prol das crianças carentes. Porém, esse altruísmo ganharia mais aplausos se o humorista direcionasse os pedidos para quem tem nas mãos o poder de resolver o assunto de forma rápida e eficiente, no caso os governantes e parlamentares espalhados nas esferas federal, estadual e municipal. Ele, como ser humano dotado de inteligência que é, deveria utilizar os espaços que tem na mídia nacional para cobrar soluções por parte das autoridades que administram toda essa dinheirama que entra nos cofres públicos mensalmente em forma de impostos, e que, infelizmente, não prioriza projetos nas áreas de educação e saúde, de uma feita que uma fatia considerável é destinada para garantir os altos salários e mordomias do presidente da República, de ministros, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores e a enxurrada de assessores a que cada um deles tem direito.

     É profundamente lamentável que o nosso ilustre conterrâneo empreste seu nome para um papel que, às vezes, beira o ridículo, pois só um idiota não percebe que muitos artistas participam apenas com objetivo de passar para o público a imagem de “politicamente corretos”, enquanto os resultados práticos continuam sendo questionados, pois estão longe, mas muito longe mesmo, de atingir as expectativas anunciadas em clima de oba-ôba nos “plimpins” globais. Alguns defensores do “Criança Esperança” afirmam que pior é ficar de braços cruzados, que cada um deve fazer sua parte, dentre outros argumentos até válidos. No entanto, bem melhor do que isso seria denunciar aos quatro ventos que a grana resultante da maior carga tributária do mundo está saindo pelo ralo, sendo aplicado de maneira equivocada, e, o que é pior, deliberadamente.

     Vamos lá, “Didi”. Ainda está em tempo! Como Embaixador Especial do Unicef no Brasil, você pode fazer muito pelas nossas crianças e adolescentes. Basta ter coragem para deixar de lado a chantagem emocional que vem sendo feita em cima de cidadãos comuns (que já são obrigados a pagar imposto até pelo ar que respiram), mudando o foco da cobrança para quem realmente tem obrigação de colocar um fim nesse quadro dantesco.

(Editorial de minha autoria, publicado na edição desta semana no jornal Folha do Ceará) 

criado por juracy.mendonca    21:55 — Arquivado em: Sem categoria

14.9.07

Cada vez mais latino americano

O cantor e compositor Belchior é, como todos sabem, um dos nomes de proa do movimento musical que se convencionou chamar de “Pessoal do Ceará”, do qual fizeram parte também Fagner, Ednardo e outros artistas conterrâneos que despontaram para o cenário nacional no início da década de 70. Semana passada, quando esteve em Fortaleza para participar do programa “Nomes do Nordeste”, no Centro Cultural Banco do Nordeste, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes concedeu uma entrevista exclusiva à FOLHA DO CEARÁ, ocasião em que falou sobre sua trajetória artística, as músicas de sua autoria que marcaram várias gerações, os novos projetos, enfim, um verdadeiro passeio por essa longa estrada de sons e palavras que, segundo ele, o vem deixando cada vez mais latino americano. E engana-se redondamente quem pensa que, por não ter nenhuma música tocando na mídia, Belchior esteja parado. “Pelo contrário. Estou trabalhando mais do que nunca”, diz o sobralense.
FC – O que representou pra você a participação no programa “Nomes do Nordeste”?
Belchior – A certeza de que somos cada vez mais reconhecidos pelo trabalho musical desenvolvido há tanto tempo e que tantos bons frutos geraram para consolidar o Ceará como um verdadeiro pólo cultural, dando continuidade assim ao que havia sido feito antes por artistas talentosos como Lauro Maia, Humberto Teixeira, dentre outros. Durante a entrevista tivemos oportunidade de fazer uma viagem ao túnel do tempo, falando e cantando coisas que remetem à Sobral, Fortaleza, São Paulo, aos primeiros encontros com antigos e novos parceiros, ao movimento estudantil, aos festivais de música… Foi um negócio bacana, principalmente por conta do calor humano que veio da platéia.
FC – Com qual idade você começou a se interessar por música?
Belchior – Desde a infância sempre fui muito influenciado pelo meu pai, que tocava flauta e saxofone, e minha mãe, que cantava em coro de igreja. Além disso, tinha tios poetas e boêmios e ouvia muito rádio, quando os cantores que faziam sucesso eram Ângela Maria, Cauby Peixoto, Nora Ney… Fui cantador de feira e poeta repentista e estudei música coral e piano. Ainda em Sobral fui programador musical de rádio. Em 1962 vim para Fortaleza, onde estudei Filosofia e Humanidades, enveredando depois pela Medicina, curso que abandonei no quarto ano para dedicar-me à carreira artística.
FC – Hoje, com tantos anos de estrada, você sabe quantas músicas carrega na bagagem?
Belchior – Agora você me pegou. Mas acho que são mais de 300 composições gravadas por mim e por intérpretes como Elis Regina, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco, Toquinho, Jair Rodrigues, Vanusa, Wanderléa, Ney Matogrosso, Engenheiros do Hawaii, Los Hermanos, Fagner, Ednardo, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Pedro Camargo Mariano, Oswaldo Montenegro, Jessé e Chico Anysio, além da cantora italiana Gigliola Cinquetti, a dupla uruguaia Larbanois & Carrero e o estadunidense Leo Robinson.
FC – E destas, qual a que mais lhe gratifica como cantor e compositor?
Belchior – Cada música tem a sua importância, a sua posição como referência de uma época, de um momento. Para mim, a música fundamental é “Como Nossos Pais”, que virou um dos hinos da nossa geração. Ela resume todo o meu trabalho. Agora, com certeza, a que me identifica mais com o grande público é “Apenas um rapaz latino americano”. Tem outras que são bastante solicitadas nos shows, como “Galos, Noites e Quintais”, “Todo Sujo de Batom”, “Medo de Avião”, “Paralelas” e por aí vai…
FC – O fato de não ter nenhuma música tocando atualmente em rádio e televisão o incomoda?
Belchior – De jeito algum. Estou trabalhando mais do que nunca, fazendo shows, estabelecendo novas parcerias, participando de projetos especiais. Consegui cativar um público que é muito interessado em música construída de forma mais poética, que tem uma linguagem que ultrapassa essa questão da comunicação pura e simples. Que gosta de uma canção que é mais do que uma massagem pura para os ouvidos do que simplesmente uma construção para corações e mentes. Não me vejo fazendo sucesso sem o padrão poético-musical que construí ao longo desses anos. Prefiro manter meu trabalho coerente, sem deformações.
FC – É verdade que, além da música, nos últimos anos você tem desenvolvido atividades relacionadas a artes plásticas?
Belchior – Não me considero um artista plástico. Faço desenhos, pinturas, caricaturas, mas não gosto desse rótulo. E esse interesse vem desde a universidade, do começo do meu trabalho, ilustrei até capas dos meus CDs. Faço isso porque tenho espírito de renascentista, mas não pretendo completar minha música com a minha pintura, nem minha pintura com a minha música.
FC – Para encerrar, gostaríamos que você falasse sobre seus projetos atuais e/ou futuros.
Belchior – Estou preparando um CD de músicas inéditas, feitas com novos parceiros, e uma caixa de DVDs com três volumes que promete ser a grande retrospectiva de minha carreira, sem deixar de acrescentar material musical inédito. Esses novos projetos ainda não têm nome. O DVD será um trabalho mais apurado, que vai demorar a ficar pronto. Estou trabalhando nisso com muito cuidado e carinho. Quero fazer um trabalho de porte cinematográfico e não apenas essa coisa de filmar um show.

 
Essa entrevista que fiz com Belchior foi publicada no jornal Folha do Ceará

criado por juracy.mendonca    23:13 — Arquivado em: Sem categoria

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